Você na nuvem!

vcNaNuvem

Em meados de 2007 comecei a ouvir de forma recorrente a palavra “nuvem” invadir os círculos de bate papo da turma de TI. A idéia da nuvem era fortemente baseada no conceito de computação em grade, onde inúmeros computadores eram interligados e juntos somavam uma quantidade abundante de recursos computacionais. Grandes empresas como Amazon, Google e Microsoft começaram a explorar o lado comercial desta idéia, vendendo seus recursos para empresas que desejavam hospedar suas aplicações remotamente. O termo nuvem foi adotado porque o acesso a estes super conjunto de computadores se dá pela internet e para o cliente não importa necessariamente qual hardware está suportando esta estrutura; a idéia é justamente deixar essa infraestrutura transparente para os clientes.

Nesta epoca diversos “evangelistas” pregavam de forma veemente que dentro de poucos anos toda a estrutura de servidores das empresas seria descartada e tudo seria transportado para a nuvem: ERPs, CRMs, servidores de e-mail, bancos de dados… tudo estaria na nuvem. Isso levantou muita polêmica, mas a idéia tinha suas vantagens pois com isso as empresas teriam mais foco em seu próprio negócio e não teriam gastos diretos com manutenção de hardware, software, licenças, salas refrigeradas, consumo de energia e etc.

Participei desses círculos de forma bem neutra, pois algo que eu estranhava nesse cenário é que tudo dependia de um bom link com a internet e justamente, em Julho de 2008 presenciamos uma pane na Telefônica que deixou São Paulo desconectado; grandes empresas e inclusive o orgãos do governo ficaram sem link por horas e o prejuízo foi grande.

Num cenário desses, qual diretor de TI apostaria na hospedagem de seus serviços na nuvem, sendo que a depêndencia com um link é vital?!

De lá pra cá passaram-se 4 anos. O assunto “nuvem” ainda continua na crista da onda, mas já não de forma tão febril quanto antes. Mas o que tenho observado é que, sim, estamos aos poucos indo pra nuvem e a mudança está começando por nós, usuários.

Hoje a agenda e fotos do meu celular estão sincronizados com a nuvem. Quando trocar de aparelho bastará associar meu login para ter tudo de volta. Atualmente também hospedo meus principais arquivos no DropBox, aplicativo onde armazeno meus arquivos na nuvem e sincronizo uma cópia em todos os PCs que possuo, inclusive tablets e celulares. HDs não são confiáveis, de uma hora pra outra dão um problema e te deixam na mão, então porque não deixar tudo na nuvem?

Por U$ 50,00 anuais tenho 200 GB de espaço no Google para armazenar meus vídeos e fotos. Isso mitiga todos os riscos? Não. É claro que o Google e o DropBox podem perder meus arquivos, mas o risco não é comparado ao ter meus arquivos num único HD. Essas empresas armazenam nossos arquivos em datacenters espalhados pelo mundo, com profissionais dedicados 24×7 na manutenção destes ambientes.

Mas quais as vantagens da nuvem para nós usuarios, além da alta disponibilidade e a possibilidade de acessar seus arquivos de qualquer parte do mundo? Uma vantagem interessante é que você paga pelo que usa; se hoje 200 GB é muito para armazenar todas as suas fotos, então contrate 20 GB iniciais e pague somente U$ 5,00 anuais. Agora pense o quanto isto pode ser interessante pra sua empresa. Imagine aqueles períodos sazonais onde sua empresa tem grande demanda comercial e a necessidade de consumo de recursos computacionais é maior?!

Enfim; para essa coisa virar ainda é necessário muito investimento em infraestrutura no Brasil e quando isso se concretizar, eu acredito sim, que nós (empresas e usuários) estaremos nas nuvens!

3 thoughts on “Você na nuvem!

  1. Realmente a estabilidade dos links é fundamental. Em empresas de procesamentos de dados, por exemplo, que trabalham massivamente com ETL a etapa L ( de load) pode demorar semanas se a banda do link for pequena e o retrabalho se torna uma constante se o link for instável.